Saudades e orgulho!

Já estamos a chegar a mais um fim de semana, mas eu ainda venho cá falar do último que foi recheado em eventos, aliás já não me lembrava de um tão preenchido desde que o Baby F nasceu.

Com tantos eventos, o 50.º Aniversário da Escola Teixeira Lopes a minha escola do 5.º ao 9.º ano, o Dia da Mãe, a visita à Ser Mamã e a ida ao Dragão para ver o FC Porto receber a Taça de Campeão Nacional, o fim de semana foi além de cansativo cheio de emoções.

No sábado, como sabem o FC Porto sagrou-se campeão nacional de futebol, depois do empate no dérbi lisboeta entre o Sporting e o Benfica. 

E foi nesse dia que senti uma angústia enorme e uma impotência ainda maior por não poder felicitar o meu pai pelo título, dizer-lhe que o FC Porto era campeão nacional e ouvir a sua voz de alegria. 

Foram várias as vezes que me levou ao futebol e até a festas, foram inúmeras as conversas que tivemos aos fins de semana. No início, quando ele faleceu em 2013, a minha mãe ainda "tentou" que não me faltassem essas conversas sobre futebol, hóquei em campo e todas as outras modalidades, perguntava como ficou isto e aquilo e lá dizia, o Porto perdeu ou o Porto ganhou, viste o Ronaldo, o hóquei deu na televisão, o andebol não, como ficou o Lamas e o Ramaldense, mas não era a mesma coisa e foi-se apercebendo até que parou. 

Eu era a menina do papá, a sua compincha, a mulher que já trabalhava num jornal desportivo, que na escola não gostava de fazer desporto (a minha única negativa na vida foi a Educação Física), mas que desde que tinha entrado no Jornal O Jogo, ou um bocadinho antes, gostava de "o" ver, ler e escrever e adorava comentá-lo com o papá. 

Quando ele faleceu o FC Porto ainda era o campeão em título, mas nesse ano e nos três seguintes, o Benfica foi o vencedor e se calhar por isso não dei por mim a pedir um telefone com chamadas para o céu para lhe contar as boas novas. 

Provavelmente também por isso ainda não tinha sido difícil não haver rede nesse dias. Mas, o dia chegou, gostava de lhe contar que foi preciso nascer o neto dele para o FC Porto voltar aos títulos, que o Baby F poderá ou não gostar de desporto, mas que terá orgulho numa cor...azul e branco, a do equipamento que o avô um dia envergou com tanto orgulho. 

Não quero que ele cresça demasiado rápido, mas um dia, quando ele entender, irei levá-lo ao Museu do FC Porto apresentar-lhe o avô, contar-lhe todas as histórias e aventuras e pedir-lhe desculpa por não o deixar escolher, mas como único descendente homem tenho a certeza que quererá seguir as pisadas do avô até porque de certa forma pertence à família portista.




Não julguem que a família é de dragões, há tias e tios benfiquistas e um avô sportinguista, mas que não é muito entusiasta pelo que nem se esforça, ou então porque ainda não chegou a idade de influenciar.

Mas, já lhe disse para esquecer, não vai ter hipótese mesmo sendo avô, há uma estrela lá em cima que brilha mais pelo menos para a mãe.




E desenganem-se, o meu marido, o F, não liga nenhuma ao futebol, vê quando lhe apetece, não tem preferências clubísticas vincadas. E eu já liguei mais, acabei por desligar-me quando entrei no jornal para a secção das modalidades até porque passei a perder mais tempo em pavilhões do que em estádios.

No fundo, acho que o título do FC Porto, todas as histórias, uma Supertaça de Hóquei em Campo em sua homenagem, um azulejo no Estádio Comendador Henrique Amorim com o seu nome e tantas outras recordações e salvas servirão apenas como "desculpa" para eu poder apresentar o avô dele de uma forma que tenho a certeza que o encherá de orgulho e que de certa forma fará com que não se esqueça dele, mesmo que não o tenha conhecido pessoalmente.




Quanto a domingo, fui ao Estádio do Dragão, algo que já não acontecia desde do ano em que casei (2015), sobretudo para apreciar a festa, afinal quem é que não gosta de uma bela festa e de fazer parte da "história". Para mim a festa e a história só tem ainda mais razão de ser, porque o FC Porto é um clube que representa uma cidade, um povo, tal como o Barcelona, o Liverpool, o Chelsea e tantos outros. Desculpem-me os benfiquistas e o sportinguistas, mas ambos os clubes defendem apenas os seus estádios e mascotes, a cidade lisboeta nesse caso é dividida, tal como acontece em Madrid, com o Atlético e o Real. 

Podem pensar ou não que só vejo azul e branco depois deste texto, que por sinal pensei muito se havia ou não de escrever, mas depois pensei, vivo num país onde há liberdade de expressão e sei o trabalho que faço, nunca fui acusada de favorecer "x" nem "y" pelo que não irá ser agora, espero eu, até porque não integro nenhuma equipa de arbitragem, federação, clube, etc., pelo que só escrevo aquilo que vejo e o resultado do trabalho dos outros.

Hoje em dia, como jornalista profissional vejo os títulos dos clubes de outra forma, do clube feminino que lutou até ao fim, do clube que menos dinheiro tem a vencer a um grande, do clube que fez uma bela época, do clube que regressou, do que tem menos títulos do que tem mais, do que surpreendeu, do que fez história, do que foi extinto, da atleta que bateu recordes, do que piloto que acelerou, do velejador que está a dar a volta ao Mundo, etc.

Apenas usei a minha página pessoal para expressar que gostava que o meu filho tivesse tanto orgulho do avô, como a mãe tem do pai. Que um dia percebesse o quanto o avô era feliz por ter jogado no clube da sua cidade, de toda a história que envolveu a chegada ao clube que jogava no Campo da Constituição, os trâmites da transferência para o União de Lamas, onde apesar de não haver um museu, há uma entrada com azulejos, sendo que um deles tem o nome do meu pai, a emoção com que o avô contava as aventuras na tropa, as viagens com os amigos, etc.

Este título do FC Porto fez-me só relembrar ainda mais que as saudades estão diariamente presentes, quer seja em coisas evidentes ou não e que as conversas sobre tudo e nada me fazem imensa falta e farão.

Sei que a estrela 9 que brilha lá em cima é ele, o meu pai...um dia o Baby F também saberá que ainda não tinha nascido e já tinha um anjo da guarda que lhe deixou um cachecol.





E desenganem-se o Dia da Mãe não foi esquecido de nenhuma forma, amanhã mostro-vos as prendinhas e mais algumas fotografias desse dia, mas podem ir já espreitar ao meu Instagram, a Rainha, a minha mãe está lá e claro o Baby F.












2 comentários:

  1. que texto mai lindo <3

    Tenho a certeza que o baby F vai saber quão grande foi o avô e terá tanto orgulho nele como em vocês.

    e espero que, entretanto o baby F tenha muito mais títulos para festejar :)

    beijo no coração

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  2. Obrigada minha querida! :)

    A tua opinião é importante!

    Beijinho e um abraço apertado tatu! <3

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